Parece ser reação em cadeia da oposição o confronto com o prefeito Airton Artus. Milton Deves, líder do PP e presidente do Hospital, pega por um lado. A bancada de oposição na Câmara faz críticas e cobranças através de vereadores do PMDB e PTB e ontem pela manhã até o ex-prefeito Almedo Dettenborn ressurgiu no cenário. Dettenborn, que buscava sua reeleição com Milton Deves de vice e era favorito, foi derrotado por Airton e Giovane na eleição municipal e desde então estava sumido do cenário político.
Disse ele que o atual prefeito assumiu compromissos com a bancada do PMDB e não está mais cumprindo, sem revelar que tipo de acordo foi este e emendeou uma ameaça: “O que está acontecendo pode ser apenas o início. Se continuar assim vou ter que ser candidato novamente na próxima eleição”, disse Dettenborn. Uma de suas queixas é o fato da Administração estar retirando placas em obras comunitárias feitas nos governos anteriores, quando a lei aprovada pela Câmara exige que apenas bens do Município não possam ter placas de governos, mas sim o brasão do município. Almedo entende a ação do atual governo como desrespeitosa e provocativa.
Na sexta-feira o vereador José Ademar Melchior, o Zecão (PMDB), já tinha feito o registro de que o atual governo está retirando placas em obras de comunidades como se fossem bens públicos do Município. Ele também entendeu a ação como provocativa e disse ter quase certeza de que o prefeito Airton não sabia disso. Zecão também disse que as cobranças feitas por vereadores ao prefeito na Câmara foram em decorrência de manifestação equivocada que o próprio prefeito admitiu ter feito no rádio, falando sobre precatórios.
Na esteira da situação lideranças do PMDB local se reúnem na segunda-feira, dia 15, quando será discutida a viabilidade da candidatura de Almedo Dettenborn para deputado estadual. Almedo diz ter recebido novo pedido do senador Pedro Simon e do prefeito José Fogaça, candidato a governador pelo PMDB, para concorrer.
Com três pré-candidaturas postas desde o meio do ano passado (Telmo Kist (PDT), Celso Kramer (PTB) e Alfredo Scherer Neto (PSDB), a aparição de Almedo a esta altura é entendida como propositadamente para prejudicar o trabalho de quem já está na estrada.
Ontem Lucas Malheiros, assessor do vereador Telmo Kist, postou em seu blog uma posição a respeito que reproduzo abaixo:
Mais um Pré-candidato em Venãncio Aires
Como se já não bastasse as especulações iniciais durante o período Pré-Eleitoral, agora surge das cinzas um “novo” candidato: o ex-prefeito de Venâncio Aires Almedo Detenborn.
A notícia de sua pré-candidatura surgiu dentro da câmara de vereadores hoje pela manhã (segunda-feira, dia 8). Após um breve encontro com o presidente do PMDB de Venâncio Aires, Vereador Adelânio Ruppenthal, foi dada a “ordem” de comunicação para a imprensa da região e da cidade do lançamento oficial de sua pré-candidatura dia 15.
OPINIÃO DO BLOGUEIRO: (Lucas Malheiros)
A candidatura do ex-prefeito vem em um momento um tanto curioso. Praticamente, o período de alianças foi encerrado, pois estamos as vésperas da abertura do período eleitoral, inclusive com alianças a nível de Estado já indo para o seu “fechamento”. Almedo, que naturalmente foi cogitado em agosto do ano passado como pré-candidato, afirmou categóricamente que não seria candidato, chegou a afirmar na tribuna da câmara, que já “não teria mais idade” para enfrentar uma nova eleição.
O fato é que a candidatura surge em meio a um momento turbulento entre o atual governo, e a oposição, formada pelo PMDB e PP, partidos que faziam parte da coligação de Almedo que perdeu as eleições em 2008 para o atual Prefeito Airton Artus.
As acusações de perseguição política, por parte da oposição (leia-se PMDB-PP), devido a retirada de placas das antigas administrações (uma lei aprovada pela câmara), desencadeou uma das séries de polêmicas que vem “abatendo” o município. Só em Venâncio Aires um prefeito é criticado por cumprir uma lei.
Utilizei o termo “abatendo”, pois práticas como essa, governaram Venâncio Aires por muitos anos, e o pior, em marcha ré, causando grandes danos para a população. Com o perdão do trocadilho, Venâncio está vivendo sim um novo tempo, a população está sentindo isso e temos três candidaturas a Deputado Estadual em pleno vapor com apoio de diversos municípios e com reais chances de eleição, será que é justo com a população “abater” esse projeto logo agora?
Me chama a atenção a rapidez desse processo: o presidente do Hospital, Milton Deves, move um processo de R$ 8 milhões contra a prefeitura e o ex-prefeito Almedo Dettenborn se candidata na última hora a Deputado Estadual. Outro detalhe: Almedo e Milton, foram derrotados em 2008 por Airton Artus na eleição municipal. O vereador Paulo Mathias Ferreira, disse na tribuna da Câmara semana passada, que sentia-se como “marido traído”, depois de dizer que auxiliava a administração não fazendo pedidos de providência por escrito e aprovando os projetos do executivo, sendo a retirada das placas, a referida traição. Lembramos que Paulo, já foi secretário do ex-prefeito Almedo.
Essa atitude demostra que o governo era feito por conveniências de quem governava, e não pensando em um futuro para a população, ou em um projeto. Quer dizer: “Nós aprovamos seus projetos em troca de não tirar nossa placas”, e o interesse da população no projeto? não foi avaliado? será que algum deles até agora foi avaliado pela oposição? Fica a questão.
Interpreto essas atitudes como declaradas represálias, de muito mau gosto e infundáveis, onde o maior prejudicado é a população. A candidatura de um “dinossauro”, no meu ponto de vista, visa somente atrapalhar um processo que vem sendo muito bem encaminhado pelos candidatos(sendo um deles do partido do prefeito Airton). A candidatura do ex-prefeito Almedo não é com o intuíto de ser de fato deputado, mas sim para não deixar que os outros sejam, tornando o sonho Venâncio-airense de ter um deputado ainda mais distante.
O Editorial da Folha do Mate de sábado, dia 6, traça com muita propriedade, de quem acompanha política a muitos anos em Venâncio, um quadro político muito bem fundamentado. Uso a última frase escrita no editorial: “Lembrando que destruir é fácil, como ocorre nas hecatombes, mas para construir é preciso um projeto que depende do esforço e trabalho de todos.”
O projeto está sendo executado, com muito esforço. Alguém está querendo provocar a “hecatombe”.
Será que “os mesmos”, ainda que fora do governo, vão mais uma vez atrasar o desenvolvimento de Venâncio Aires em prol de seus caprichos? ou por disputas infudadas visando apenas benefício próprio e não da comunidade?
O povo de Venâncio Aires dará a resposta assim como deu em 2008.