Relembre as Copas

Na sua Copa, os argentinos conquistam o primeiro título

24/06/2010 03:08:39    Zoom_mais Fonte_normal Zoom_menos   Print   Mail    

Caco Villanova

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Sandoval lembra ter assistido ao jogo da Argentina contra Holanda na casa de um amigo. Torceu para o

Dizem que foi uma Copa arranjada. Comentam que aquele campeonato mundial de 1978 foi organizado pelos argentinos, para os argentinos. Pelo menos as evidências apontaram para isso, especialmente para os brasileiros, que assistiram sua seleção desclassificada invicta, no ‘passeio’ da Argentina contra o Peru. Os anfitriões tinham que vencer por 4x0 para continuar na fase seguinte. Venceram por 6x0, se classificando pelo saldo de gols.

Mas voltando um pouco mais no tempo, para os gaúchos, a competição iniciou antes. Alecsandro Wildner dos Santos, o Sandoval, pelo menos, chama atenção para o último amistoso do seleto grupo comandado pelo técnico Cláudio Coutinho. Foi no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Porto Alegre, quando enfrentou a seleção gaúcha.

Sandoval tinha 11 anos na época e estudava na 5ª série da Escola Estadual Cônego Albino Juchem. Na entrevista, não lembrou exatamente que o placar havia sido de 2x2, mas nem por isso se esqueceu do sentimento de frustração dos gaúchos, que esperavam pela convocação de Falcão, do Internacional, que acabou defendendo a bandeira riograndense. O empate às vésperas da Copa ficou marcado pela hostilidade da torcida para com o técnico brasileiro.

Alguns fatos paralelos à Copa, marcaram a infância de Sandoval naquela década. Ele cita, por exemplo, a febre pelos jogos de botão e pelos álbuns de figurinhas. Durante a competição na Argentina, conta que jogava ‘teco-bol’ com os amigos, invenção de uma conhecida fabricante de refrigerante, que estampou a foto dos jogadores na parte interna das tampinhas das garrafas. “Era tipo botão, mas se jogava dando ‘petelecos’ nas tampas com os dedos.” O campo de teco-bol era adquirido nas bancas.

Apreciador do rock, Sandoval se revela um conhecedor das Copas. Lembra pouco a da Alemanha de 1974, quanto tinha sete anos. Assim como a do México, de 70, conhece a história através dos vídeos e revistas que coleciona. Estas e a de 1982, na Espanha, são consideradas por ele as melhores. Mas a da Argentina lhe marcou especialmente, pela imagem que a seleção anfitriã lhe passou e que, por isso, lhe conquistou a simpatia até hoje. “Os argentinos jogam com gana, raça, com sangue latino que, muitas vezes, falta aos brasileiros. E aquele time metia medo. Estavam focados em ganhar. Estavam jogando em casa.”

Ele, no entanto, segue a mesma opinião de parte dos torcedores brasileiros da época, que acredita na manipulação de resultados, especialmente no jogo dos argentinos contra o Peru. A fórmula da competição era diferente das copas atuais. Na segunda fase, diferentemente do atual ‘mata-mata’, haviam chaves e a classificação dependia do conjunto de resultado e do saldo de gols. O empate dos brasileiros com a Seleção Italiana, somada a goleada da Argentina sobre os peruanos, tirou o Brasil da final, tornando-o ‘campeão moral’ por não ter perdido uma partida. Mas, para Sandoval, faz parte do futebol. “Acontece!”

Fato pitoresco que o marcou foi a numeração das camisetas argentinas por ordem alfabética. Dos jogadores campeões, cita Passarella, Luque, Tarantini e o destaque da Copa, Kempes. Dos brasileiros, cita Rivelino, Leão, Dirceu, Zico, Dinamite, o zagueiro Oscar, os chutes de falta de Nelinho, Reinaldo e Edinho. Também chama atenção para a qualificada equipe da Itália e o ‘timaço’ da Holanda, quase uma reedição do ‘carrossel holandês’ de 74 sem Cruyff. Dos jogos, lembra da presença de Chicão, do São Paulo, no empate de 0 x 0 contra a Argentina, na segunda fase. Conhecido por sua truculência, teria sido escalado por Coutinho para fazer frente aos ‘raçudos hermanos’. Mas nada fora do normal aconteceu. Também cita o gol de Zico na partida contra a Suécia, que não valeu porque o juiz encerrou a partida quando a bola batida do escanteio ainda se encontrava no ar, antes de cruzar linha de gol pela cabeçada do brasileiro.

Por fim, na lembrança de guri, Sandoval ressalta que havia muita vibração. “Haviam muito mais pessoas usando o verde amarelo nas roupas, casas e ruas enfeitadas, os carros tinham fitinhas amarrada nas antenas, adesivos de montão, tudo coisas que ainda existem hoje em dia, mas em um grau bem menor de entusiasmo e patriotismo”.

Caco Villanova

caco@folhadomate.com.br

l;Sandoval lembra ter assistido ao jogo da Argentina contra Holanda na casa de um amigo. Torceu para os holandeses, apesar de simpatizar com os argentinos

 

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