Saúde

Artus volta a dizer que ação do HSSM é “contra a população”

09/03/2010 07:07:01    Zoom_mais Fonte_normal Zoom_menos   Print   Mail    

Letícia Wacholz

Foto 1 / 2 Arquivo/FM
Iirion1305
Artus questiona período em que hospital é deficitário
MilionsiidU
Deves diz que não que prejudicar o hospital
Em entrevista ao programa ‘Sábado é Show’, apresentado por Telmo Kist - que é vereador pelo PDT e líder do governo - na rádio Terra FM, no sábado, 6, o prefeito Airton Artus soltou o verbo ao fazer referências à ação judicial que o HSSM move contra o município, no valor de R$ 8 milhões. “A questão da saúde é complexa. A gestão da saúde pública em Venâncio está deficitária há algum tempo e, para reverter a situação, vai exigir muito trabalho.” Para isso, complementa, a Secretaria está se reestruturando.

Artus chamou de ‘esculhambação’ o que aconteceu nos últimos anos no setor. “Nós vamos tentar reverter esse quadro, porque hoje a população não tem um bom atendimento e o município gasta um quarto de toda a sua arrecadação para a saúde, mais um quarto para educação, que somam 50% do dinheiro do município, e ainda é preciso fazer todo o resto.” A ação que o hospital entrou contra o município, na sua opinião, “é uma ‘coisa’ incompreensível, fora de propósito e uma situação impensável”.

O prefeito explicou que os valores que o SUS repassa historicamente têm uma defasagem, e esse é o desafio que os hospitais têm. “Se repassasse valores que fossem compatíveis com os convênios particulares, aí qualquer um administrava um hospital. As pessoas assumem um compromisso de administrar uma situação sabendo como ela é e, depois, acontece como está acontecendo agora. Inclusive tem uma nota no jornal, com citações que não são verdadeiras. O hospital coloca que entrou numa ação contra a União buscando valores não pagos da URV. Isso não é verdade!”. Observa que houve ganho de causa em uma ação movida pelo hospital há cerca de dez anos, na gestão de Júlio Spies, garantindo o repasse de R$ 2 milhões, a serem repassados em dez anos.
Em relação a Deves, Artus alfinetou: “Eu não quero discutir com ele no campo ético, isso aí é a comunidade que vai avaliar. No campo político, não tem condições de discutir com ele, porque ele era vice-prefeito, abriu uma dissidência e não se elegeu vereador. Eu era vice-prefeito, abri uma dissidência e me elegi prefeito, então há uma disparidade muito grande.”

Artus repetiu que a ação “é contra o povo de Venâncio”. Segundo ele, a demanda judicial poderia suspender serviços no futuro. “Ou o hospital acha que nós vamos fechar nossos postos, dispensar nossos médicos, laboratórios e exames terceirizados para pagar essa ação, sabe-se lá porque o hospital entrou com esse prejuízo? Os valores do SUS, todo mundo sabia que eram defasados, e esse é um desafio de administrar um hospital”.

O prefeito garante que a municipalidade vai tentar recuperar a defasagem do SUS. “Repassamos recursos ao hospital pra isso. Repassamos recurso para o plantão, para serviços médicos, raio x, tomografia, laboratório, enfim, todo o trabalho que já vem sendo feito há algum tempo e tem muita coisa boa, mas tem muita coisa que ficou de um período que é justamente quando estava sob comando de pessoas que hoje administram o hospital.”

Os recursos repassados pelo município às entidades filantrópicas são outro assunto que Artus vem tratando, especialmente no que diz respeito à prestação de contas. “Acho até que está na hora de todo mundo ver o que acontece. Isso aí vai ter desdobramentos, nós estamos tranquilos enquanto gestores municipais. Estamos com a consciência tranquila, e vou dizer mais para a população: se tiver algum item que a prefeitura não cumpriu no contrato assinado com o hospital, que me aponte. O que aconteceu foi o inverso, porque é o hospital que não está cumprindo os itens. Estamos pagando para ter 12 horas, dois plantonistas, estamos pagando por uma série de situações que não estão acontecendo. Essa que é a verdade.” E questiona mais: “Por que não tem nada sobre a UTI aqui na nota? Qual o esforço que está sendo feito pra terminar a UTI? Quem tem medo da UTI? Quem tem medo que o hospital cresça e seja de maior complexidade?”.

Artus compara, ainda, as administrações do HSSM com o Hospital Bruno Born (HBB), de Lajeado: “O que faz que tenha uma diferença entre um hospital e outro? Um hospital que tem convênio com o SUS, que todo mundo sabe que é deficitário, trabalha muito bem a área privada e convênios e, com isso, compensa esse déficit. O déficit é da prefeitura, que não repassa valores condizentes, ou é um déficit financeiro de uma dívida que foi sendo criada e de uma forma escondida da população, e agora venceu o período de carência e precisa pagar uma dívida de mais de R$ 100 mil por mês?”,


Deves diz que pretende se desvincular da política

Pelo menos até concluir seu trabalho na presidência do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), Milton Deves avisa que irá se desvincular do PP enquanto ocupar o cargo. Sem entrar em detalhes, ele justifica a decisão por possíveis prejuízos que a casa de saúde vem tendo em função de sua preferência político-partidária. Subentende-se, entretanto, que as discussões que ele e o prefeito Airton Artus vêm travando na imprensa é que motivaram em sua decisão.

“Estou achando que ação partidária prejudica o hospital”, disse ontem, informando que enviaria, no mesmo dia, seu pedido de desfiliação do PP. A decisão está tomada. “Acho que isso prejudicaria as negociações”, complementou, referindo-se à necessidade de renovar o convênio entre HSSM e município. “Acho que ajudarei mais sem vínculo político”.
Deves avalia que as discussões em torno dos problemas financeiros do hospital começam a serem vistos e tratados como se fossem intriga política. Deixando o PP, ele pretende desmistificar isso. “Vou continuar defendendo o hospital, sem conotação política. Se política atrapalha, então estou de saída”, complementou. Ele avisa, também, que pretende concluir todos os projetos que iniciou e, para isso, pretende concorrer à presidência do HSSM no ano que vem, quando encerra sua segunda gestão. “Sou candidato à reeleição. Vou ficar até terminar as obras da UTI e depois construir os quatro andares, onde hoje é o necrotério, da ala psiquiátrica.” Para isso vai precisar de mais quatro anos à frente do hospital.

Há mais de 30 anos no partido, Deves foi vereador por duas vezes, concorreu e deputado estadual, foi vice-prefeito na segunda administração de Glauco Scherer (PTB). O presidente do PP, João Moacir Ferreira, não quis comentar a desfiliação sem antes consultar o partido.

 

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